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segunda-feira, setembro 20, 2021
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Policial do RJ tem 725 vezes mais chance de ser ferido que um soldado americano na Guerra do Golfo

O delegado e chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fabrício Oliveira, comentou, em entrevista ao Jornal da Manhã, os dados apresentados durante Congresso de Segurança em São Paulo neste sábado, 4. O levantamento apontou que um policial do Rio de Janeiro tem 725 vezes mais chance de ser ferido que soldado americano na Guerra do Golfo. “O problema da violência é muito complexo. Essa corrida armamentista do tráfico de drogas começou ainda na década de 80. O criminoso no Rio disputa o território com outras facções. Esse dado do fuzil na mão do criminoso já é um problema de muitos anos no RJ e esse perfil mais violento do traficante, que considera que é um bom negócio entrar em confronto com a polícia e com o Estado, é um dado que nos chama atenção e acaba tornando o tráfico de drogas no Rio muito mais violento”, aponta o delegado.

Em 2019, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio, foram aprendidas 8 mil armas e 550 fuzis. O desafio, segundo Fabrício Oliveira, está no fato de que esses instrumentos vem de fora do país. “Eu tive a oportunidade de estar à frente da Delegacia de Combate ao Tráfico de Armas do Rio de Janeiro em 2017 e 2018 e nós focamos muito nesse problema. Praticamente 100% das apreensões eram de armas produzidas em outros países. É um problema grave. A gente tem que fazer o nosso dever de casa que é um trabalho inter-agências para fiscalizar o que entra no Brasil e no Rio de Janeiro. As armas não são fabricadas aqui, assim como a produção de drogas não acontece aqui”, afirmou o chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio.

Outro problema enfrentado pelo Estado são as milícias. “Hoje aproximadamente 20% das favelas estão sob o domínio de facções de milícia e a gente tem se referido a eles como narcomilicianos, porque eles vendem drogas também. Da mesma forma que o tráfico de drogas tem hoje atitudes típicas de milícia, como cobrar pela venda do gás e pelo gato-net”, acrescenta. Para o delegado, o problema não vai ser resolvido só com a atuação da polícia. “No campo policial, a gente percebe que o custo-benefício do crime é muito grande. Os benefícios são muitos e os riscos são poucos. Nós temos que endurecer o combate com penas mais altas, repressão mais forte para que, quando eles fizerem essa análise, eles percebam que não vale a pena praticar crime e atirar na polícia”, finaliza.

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