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Samsung segue na liderança, mas Apple aperta o cerco à Motorola no mercado brasileiro de celulares

Brasil

Samsung segue na liderança, mas Apple aperta o cerco à Motorola no mercado brasileiro de celulares

Diego Velázquez

O mercado brasileiro de smartphones vive um momento de reacomodação em 2026. Depois de anos de relativa estabilidade no topo do ranking, os dados mais recentes mostram uma disputa cada vez mais acirrada pelas posições intermediárias, especialmente entre Motorola, Apple e Xiaomi. Enquanto a Samsung segue confortável na liderança, ainda que com uma fatia menor do que a registrada em meses anteriores, o restante do pelotão vive uma movimentação que interessa tanto a quem vende quanto a quem compra celular no país.

Samsung ainda lidera, mas perde força

Segundo levantamento divulgado com base em dados da StatCounter, a Samsung fechou abril de 2026 com 31,97% de participação no mercado brasileiro de celulares, um recuo em relação aos cerca de 34% registrados poucos meses antes. A queda não chega a colocar a liderança em risco no curto prazo, mas mostra que a marca sul-coreana enfrenta pressão em praticamente todas as faixas de preço, da entrada ao segmento premium. Dados anuais compilados pela consultoria Omdia reforçam esse cenário de dominância histórica, mas também de gradual erosão, com a Samsung mantendo uma fatia expressiva porém decrescente ano após ano. Oficina da NetOficina da Net

Motorola sente a aproximação da Apple

A segunda posição do ranking, historicamente ocupada pela Motorola com folga, começou a ficar mais disputada. Em abril de 2026, a Motorola aparecia com 20,58% de participação, um número praticamente estável em relação a fevereiro. O detalhe que chama atenção é a proximidade da Apple, que chegou a 19,93% no mesmo período, ficando a apenas 0,65 ponto percentual da Motorola. Poucos meses antes, essa diferença era bem maior, o que mostra o quanto a marca da maçã avançou em solo brasileiro, historicamente marcado pela força do Android. Oficina da NetOficina da Net

Xiaomi perde fôlego, mas mantém relevância no custo-benefício

Já a Xiaomi, que vinha ganhando espaço nos últimos anos justamente por atacar a faixa de preço mais sensível do mercado, registrou uma participação de 15,05% em abril de 2026, recuando de 15,66% no levantamento anterior. A marca chinesa segue forte entre consumidores que priorizam ficha técnica robusta por um preço menor, mas o avanço de concorrentes como a realme, que vem se consolidando como quinta força do mercado, indica que a disputa pelo público de custo-benefício deixou de ser exclusividade da Xiaomi. Oficina da NetOficina da Net

Um mercado concentrado, mas em transformação

Vale destacar que essas quatro marcas somam a esmagadora maioria do mercado nacional. Análises internacionais confirmam esse padrão de concentração, apontando que Samsung e Motorola seguem como forças dominantes, com a Xiaomi like principal beneficiária da tendência de especificações acessíveis no país. Ainda assim, o mercado brasileiro vive um movimento de premiumização, no qual o preço médio de venda subiu significativamente entre 2024 e 2025, mesmo com uma leve retração no volume total de aparelhos vendidos. Esse fenômeno reflete tanto o câmbio quanto os custos globais de componentes, que têm empurrado os fabricantes a lançar cada vez mais modelos na faixa premium em busca de margens melhores. AccioAccio

O papel da fabricação local e do câmbio

Um fator que ajuda a explicar a resistência da Motorola no país é justamente a produção local, que permite à marca driblar parte da carga tributária que incide sobre aparelhos importados. Essa vantagem logística e fiscal historicamente sustentou a posição da empresa como a queridinha da classe média brasileira, especialmente na faixa entre R$ 1.500 e R$ 4.000. A Xiaomi, por outro lado, ainda depende fortemente de distribuidores e de uma rede de varejo que inclui desde grandes redes até o chamado mercado paralelo, o que a torna mais sensível a oscilações cambiais e a mudanças na política de importação.

O que esperar para o segundo semestre

Para o consumidor brasileiro, o cenário atual sugere que a decisão de compra vai além da marca isoladamente: fatores como suporte técnico, disponibilidade de peças e política de atualização de software ganham cada vez mais peso na escolha. Com a briga pelo segundo e terceiro lugares mais acirrada do que em anos anteriores, é provável que o segundo semestre traga promoções mais agressivas por parte de Motorola e Xiaomi, enquanto a Apple deve seguir avançando lentamente, apoiada no crescimento do parcelamento sem juros oferecido por operadoras e varejistas.

Fontes consultadas: