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Escolher fornecedor de tecnologia pede mais que menor preço

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Escolher fornecedor de tecnologia pede mais que menor preço

Nadia Verdan
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

A proposta mais barata vence a concorrência, o contrato é assinado e, seis meses depois, a conta real aparece: treinamento que não estava no escopo, integração que exigiu consultoria extra, suporte lento demais para o nível de criticidade do sistema. O preço de tabela era menor, mas o custo de operar com aquele fornecedor não foi.

Considera Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO com atuação em arquitetura de sistemas e infraestrutura tecnológica, que esse padrão se repete porque a decisão de compra em tecnologia costuma comparar número de propostas, não custo de operação ao longo do tempo. Escolher fornecedor de tecnologia pede mais que menor preço, e a diferença só aparece depois que o contrato já está fechado.

Por que o preço mais baixo costuma custar mais depois?

Uma proposta comercial cobre o que está explicitamente listado: licença, implantação básica, suporte no nível contratado. O que raramente entra na comparação inicial é o esforço de integrar aquela ferramenta com o que a empresa já usa, o tempo de treinamento da equipe e o custo de trocar de fornecedor caso a relação não funcione.

Esses custos não somem só porque não apareceram na proposta. Eles aparecem depois, na forma de hora extra da equipe interna, contratação de consultoria para resolver o que o fornecedor não cobre, ou perda de produtividade enquanto o time aprende a lidar com uma ferramenta mal integrada ao restante do ambiente.

Diferença entre preço de tabela e custo total de posse

Custo total de posse, o TCO, soma tudo o que um fornecedor custa ao longo do contrato: preço de aquisição, implantação, treinamento, manutenção, suporte e o custo de eventualmente migrar para outra solução no futuro. Duas propostas com o mesmo preço de tabela podem ter TCO bem diferente, dependendo de quanto trabalho extra cada uma exige da equipe interna.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira nota que o cálculo muda de figura quando inclui o tempo de resposta do suporte em caso de incidente crítico, porque um sistema mais barato que fica fora do ar por horas enquanto o fornecedor não responde custa muito mais do que a diferença de preço economizada na compra.

O que avaliar além do preço na escolha de fornecedor?

Integração com o que já existe no ambiente técnico costuma pesar mais do que qualquer desconto na proposta, porque um sistema isolado, que não conversa com o resto da infraestrutura, gera trabalho manual permanente para compensar essa falta de conexão. Estabilidade financeira do fornecedor e clareza sobre o roteiro futuro do produto também entram nessa conta, já que trocar de fornecedor às pressas custa caro em qualquer cenário.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira indica que a cláusula de saída do contrato merece tanta atenção quanto o preço de entrada: um contrato que dificulta a portabilidade dos dados ou cobra taxa alta para encerrar a relação transforma qualquer economia inicial em prejuízo, caso a empresa precise trocar de fornecedor mais cedo do que planejava.

Escolha de fornecedor como decisão de arquitetura, não só de compra

Tratar a escolha de fornecedor de tecnologia como decisão puramente de compras, resolvida pelo menor número na proposta, ignora que essa decisão molda a arquitetura técnica da empresa pelos próximos anos. Um fornecedor mal escolhido vira dependência difícil de reverter, mesmo quando o problema já ficou evidente para todo mundo envolvido.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira revela que as decisões de fornecedor com melhor resultado costumam envolver, desde o início, quem vai operar aquele sistema no dia a dia, e não só quem assina o contrato, porque é essa equipe que sente primeiro o custo real de uma escolha baseada só em preço. Trazer esse grupo para perto da negociação muda o tipo de pergunta feita ao fornecedor antes da assinatura, da capacidade de suporte em horário crítico à facilidade real de integrar o sistema ao que já existe, questões que dificilmente aparecem numa planilha de comparação de preços.

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