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sexta-feira, março 5, 2021
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A troca de guarda na Amazon

O e-mail de 619 palavras enviado em 2 de fevereiro começou com um “companheiros amazonianos” para terminar com uma assinatura singela, “Jeff”. Por meio dele, Jeff Bezos, 57 anos, o CEO da Amazon, anunciou sua saída do comando da companhia no terceiro trimestre de 2021. Depois de 27 anos, ele deixará o cargo para fazer parte apenas do conselho da administração (e se dedicar a outras empresas sob seu controle, como o Washington Post e a espacial Blue Origin). Em seu lugar, no topo, assumirá Andy Jassy, de 52 anos, hoje responsável pelos projetos de computação em nuvem. Na mensagem, Bezos rabiscou um interessante resumo da inovação no mundo da tecnologia, numa definição que já nasceu clássica: “Alguns anos depois de uma invenção surpreendente, a novidade se tornou normal. As pessoas bocejam — e esse bocejo é o maior elogio que um inventor pode receber”. A Amazon, que surgiu em 1994 como uma livraria on-line — eis o primeiríssimo e criativo passo —, é hoje um colosso do varejo eletrônico. É a segunda marca mais valiosa do mundo, de acordo com ranking divulgado no dia 26 de janeiro pela consultoria Brand Finance. Avaliada em 254,2 bilhões de dólares, a empresa só é superada pela Apple, cotada a 263,4 bilhões de dólares. Bezos, não por acaso, divide a briga pelo lugar de homem mais rico do mundo com Elon Musk, da Tesla. Musk tem patrimônio líquido avaliado em 194 bilhões de dólares. Bezos, de 186 bilhões de dólares.

Para muito além das cifras, qualquer passo de Bezos chama a atenção por ele estar na gênese e nos bastidores de uma fenomenal mudança de comportamento da humanidade, o hábito de vivermos on-line — e a pandemia acelerou ainda mais o movimento irrefreável. No dia em que o executivo disse ter pendurado as chuteiras, embora não vá abandonar totalmente o barco, a Amazon divulgou lucro de 7 bilhões de dólares nos últimos três meses de 2020, o dobro em relação a 2019. Mas, evidentemente, a grandeza traz problemas: rivais como o Walmart montam operações vigorosas de comércio eletrônico. E não há dia que a Amazon não tenha de pôr seu pelotão jurídico em movimento. Na semana passada, a companhia pagou 62 milhões de dólares (lucro de cerca de dezoito horas, ressalve-se) para encerrar uma investigação de malversação de gorjetas para entregadores, que deveriam ter sido repassadas mas não foram. Bezos, ao deixar o coração dos negócios, se afasta um pouco desses enroscos — mas sua imagem será sombra permanente para o novo entronizado, Jassy, sujeito mais recatado e menos mercurial.

Memória: Tom Moore

HERÓI - O capitão: 100 anos de lutas –Samir Hussein/Getty Images

Ao completar 100 anos, em abril de 2020, o capitão britânico Tom Moore, veterano da II Guerra, tomou para si uma missão quando o Reino Unido foi obrigado a se fechar em lockdown, com a explosão de casos de Covid-19: arrecadar dinheiro para entregá-lo ao serviço de saúde do país. Ele conseguiu mais de 30 milhões de libras, o equivalente a mais de 200 milhões de reais.

Sua campanha pessoal tinha uma marca: dava 100 voltas ao redor de seu jardim, demonstrando força de vontade e empenho inigualáveis para alguém de sua idade. Foi comovente. O sucesso e a inspiração chamaram a atenção da rainha Elizabeth II, de 94 anos, que o nomeou cavaleiro da coroa. Moore, que combateu a pandemia, contraiu o vírus na virada de 2020 para 2021 e não resistiu. Morreu em 2 de fevereiro, em Londres.

Publicado em VEJA de 10 de fevereiro de 2021, edição nº 2724

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