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Saúde ocular infantil: o que o Brasil ainda não faz e o que o Projeto Visão em Dia já provou que é possível

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Saúde ocular infantil: o que o Brasil ainda não faz e o que o Projeto Visão em Dia já provou que é possível

Diego Velázquez
Franco Douglas Lima Dias

O debate em torno de políticas de saúde preventiva para crianças em idade escolar avança no Brasil, mas raramente alcança a saúde ocular com a mesma prioridade dada a outras áreas. A vacinação, o acompanhamento nutricional e a triagem auditiva neonatal são exemplos de protocolos que foram institucionalizados ao longo das últimas décadas. A triagem visual sistemática dentro das escolas públicas, por sua vez, ainda não encontrou espaço equivalente na agenda das políticas públicas brasileiras. O Projeto Visão em Dia, iniciativa do Instituto Visão Conectada concebida por Franco Douglas Lima Dias, opera precisamente nessa lacuna e documenta, a cada novo ciclo de ações, o que está sendo perdido enquanto essa política não existe.

O programa já realizou mais de 4,5 mil atendimentos, distribuiu cerca de 2 mil óculos gratuitamente e contemplou 18 unidades de ensino na região de Ferraz de Vasconcelos e municípios vizinhos. O que esses números revelam não é apenas o alcance de uma iniciativa privada. É o retrato de uma demanda que estava represada à espera de uma estrutura que fosse até ela.

O contraste entre o que o Brasil ainda não faz e o que o programa já provou que é possível é o argumento mais concreto que o Visão em Dia construiu ao longo de sua trajetória.

O que falta para que a triagem visual faça parte da rotina escolar?

A resposta envolve vontade política, orçamento e um reconhecimento institucional de que saúde ocular é parte indissociável do desenvolvimento escolar. Países que já incorporaram a triagem visual à rotina das escolas públicas observaram impacto direto nos indicadores de desempenho escolar, especialmente nas séries iniciais. No Brasil, esse movimento ainda não se consolidou de forma ampla e uniforme.

O que existe, em seu lugar, são iniciativas pontuais como o Projeto Visão em Dia, que operam com agilidade e proximidade onde o Estado ainda não chegou. Conforme ilustra a trajetória do programa idealizado por Franco Douglas Lima Dias, o modelo de triagem itinerante dentro das escolas não é complexo de operar. O que falta, na maior parte dos casos, é a decisão de fazê-lo.

O que o programa já provou que é possível?

Em mais de 5 mil atendimentos realizados, o Projeto Visão em Dia provou que é possível realizar triagem visual especializada dentro de escolas públicas, identificar condições que vão além da miopia simples, como o ceratocone diagnosticado em alunos da APAE de Ferraz de Vasconcelos, e entregar a correção adequada no mesmo momento do exame. Provou também que as famílias atendidas não tinham acesso a esse serviço de nenhuma outra forma, o que torna cada ação do programa uma intervenção que não seria substituída por nenhuma alternativa disponível.

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Na avaliação da diretora da APAE de Ferraz de Vasconcelos, Lara Benute, o que o programa entregou àquela instituição foi algo que ela não conseguiria oferecer com seus próprios recursos: “Todos os alunos que foram beneficiados não tinham condições financeiras para pagar uma consulta.”

Por que a saúde ocular deveria estar na pauta da educação?

A separação entre saúde e educação no debate público brasileiro produz uma consequência prática que o Projeto Visão em Dia documenta de forma recorrente: crianças com problemas visuais não corrigidos sendo avaliadas exclusivamente por seu desempenho escolar, sem que ninguém investigue se há uma causa física por trás das dificuldades observadas. Uma criança que não enxerga o quadro não está desatenta. Está tentando aprender em condições que o sistema não foi projetado para reconhecer.

Sob a perspectiva de Franco Douglas Lima Dias, o programa existe porque essa conexão entre saúde visual e aprendizado ainda não recebe a atenção que merece dentro das escolas públicas. Cada diagnóstico realizado pelo Visão em Dia é, simultaneamente, uma intervenção de saúde e uma intervenção no direito de aprender daquela criança.

O futuro da saúde ocular no Brasil 

A experiência acumulada pelo Instituto Visão Conectada ao longo de suas ações aponta para duas necessidades complementares. A primeira é a criação de uma política pública de triagem visual sistemática nas escolas, com protocolos claros, financiamento garantido e cobertura ampla. A segunda é o reconhecimento de que, enquanto essa política não existe, iniciativas como o Projeto Visão em Dia são o mecanismo mais eficaz disponível para alcançar quem precisa.

Franco Douglas Lima Dias construiu, a partir de uma experiência pessoal de invisibilidade dentro do sistema, um programa que prova ser possível fazer o que o Brasil ainda não institucionalizou. O que o Visão em Dia revela, ao fim de cada ação realizada, é que a solução não é desconhecida. Ela apenas ainda não foi adotada em escala.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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