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De quatro rinocerontes a um programa de reintrodução, Antonella Giancoli e Anna Boni incluem Serowe na rota da Benarrivati por Botswana

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De quatro rinocerontes a um programa de reintrodução, Antonella Giancoli e Anna Boni incluem Serowe na rota da Benarrivati por Botswana

Nadia Verdan
Antonella Amaral Giancoli

Criado como projeto comunitário em 1992, o Khama Rhino Sanctuary protege rinocerontes-brancos e negros em mais de 8.500 hectares perto de Serowe e já transferiu animais para outras áreas protegidas do país

Perto de Serowe, no leste de Botswana, rinocerontes voltaram a ocupar uma paisagem onde haviam se tornado cada vez mais raros. O Khama Rhino Sanctuary nasceu de uma iniciativa comunitária voltada à recuperação desses animais e hoje reúne rinocerontes-brancos e negros em uma área de aproximadamente 8.585 hectares de Kalahari Sandveld.

Antonella Giancoli e Anna Boni, cofundadora e CEO da Benarrivati Africa, incluem o santuário nos roteiros pelo país porque sua história apresenta uma dimensão de Botswana diferente daquela encontrada nos grandes circuitos do Okavango ou do Chobe. Ali, conservação, participação comunitária e turismo foram reunidos em um projeto pensado não apenas para proteger animais, mas também para gerar benefícios econômicos e educação ambiental para a população local. 

Um projeto comunitário criado para recuperar os rinocerontes

A própria instituição registra 1992 como o ano de criação do Khama Rhino Sanctuary. A iniciativa surgiu em resposta ao forte declínio dos rinocerontes em Botswana provocado pela caça ilegal e teve como objetivo estabelecer uma população protegida capaz de se reproduzir e, posteriormente, fornecer animais para reintroduções em outras áreas do país. 

O programa começou com uma população fundadora de quatro rinocerontes. Ao longo dos anos, o santuário conseguiu reproduzir e transferir animais para outros territórios protegidos de Botswana. A instituição informa que 16 rinocerontes já foram deslocados para diferentes áreas do país como parte dessa estratégia.

A Botswana Tourism Organisation registra reintroduções em locais como Moremi Game Reserve, Makgadikgadi e Northern Tuli Game Reserve. A história ganhou outro marco em 2008, quando nasceu no santuário seu primeiro filhote de rinoceronte-negro.

Duas espécies com hábitos diferentes

O Khama Rhino Sanctuary abriga tanto o rinoceronte-branco quanto o rinoceronte-negro. Apesar dos nomes, a diferença não está na cor. O branco é principalmente pastador e possui uma boca larga adaptada ao consumo de gramíneas; o negro é predominantemente navegador, alimentando-se de folhas e arbustos.

O santuário também reúne zebras, gnus, impalas, girafas, avestruzes, chacais e mais de 230 espécies de aves. A paisagem alterna áreas de arbustos com espaços mais abertos e pans, onde a concentração de animais pode aumentar em determinados períodos. 

A observação pode ser feita em game drives acompanhados por guias e também em veículo próprio nas áreas permitidas. O santuário oferece ainda uma atividade específica de rastreamento de rinocerontes a pé, realizada pela manhã com guias qualificados, mas ela tem regras próprias: atualmente só aceita participantes entre 16 e 60 anos e limita cada grupo a oito pessoas.

Por que Anna Boni e Antonella Giancoli incluem Serowe no roteiro

Para Anna Boni, o interesse do Khama Rhino Sanctuary está justamente em mostrar que a conservação não começou como uma iniciativa externa instalada sobre o território, mas como um projeto ligado à própria comunidade da região.

“O rinoceronte chama atenção imediatamente, mas o que torna essa visita especialmente interessante é entender por que ele está ali. O santuário nasceu de uma decisão local de proteger uma espécie que estava desaparecendo e conseguiu transformar reprodução, reintrodução, educação e turismo em partes do mesmo projeto. Essa história ajuda a família a perceber que conservação também é feita por comunidades”, explica Anna Boni.

Antonella Giancoli insere essa passagem dentro de uma leitura mais ampla de Botswana, enquanto Anna conduz o olhar sobre a operação africana e o contexto de conservação. Nos roteiros da Benarrivati, as atividades são escolhidas de acordo com idade, perfil dos viajantes e regras do próprio santuário, sem transformar avistamentos em garantia ou pressupor que todas as famílias possam participar do rastreamento a pé.

Serowe acrescenta outro capítulo da história de Botswana

O santuário fica a cerca de 30 quilômetros de Serowe, um dos centros históricos do povo Bangwato e cidade natal de Seretse Khama, que se tornou o primeiro presidente de Botswana depois da independência, em 1966.

Na cidade, o Khama III Memorial Museum preserva documentos, fotografias, objetos e arquivos relacionados à história de Serowe, do povo Bangwato e de suas lideranças. Fundado em 1985, o museu ocupa uma das antigas casas comerciais da cidade e apresenta também as transformações políticas e sociais da região ao longo dos séculos XIX e XX. 

A relação entre o santuário e Serowe permite, assim, ampliar a passagem pelo leste do país. Em vez de servir apenas como escala entre Gaborone e as áreas de safári do norte, a região oferece uma história própria sobre liderança local, conservação e participação comunitária.

Para Antonella Giancoli e Anna Boni, é essa combinação que dá sentido à inclusão do Khama Rhino Sanctuary nos roteiros da Benarrivati. Os rinocerontes são o ponto de partida, mas a visita ganha outra dimensão quando se entende que sua presença resulta de uma iniciativa criada pela própria comunidade para impedir que esses animais desaparecessem novamente de Botswana.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

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