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95% das grandes empresas brasileiras já usam ou planejam adotar inteligência artificial, aponta estudo

Brasil

95% das grandes empresas brasileiras já usam ou planejam adotar inteligência artificial, aponta estudo

Diego Velázquez

Levantamento da ABES e da IDC mostra que a tecnologia deixou de ser diferencial competitivo para se tornar parte da infraestrutura crítica de negócios no país

Quem ainda enxerga a inteligência artificial como uma novidade distante da rotina corporativa brasileira pode se surpreender com os números divulgados recentemente. Um estudo conduzido pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, a ABES, em parceria com a consultoria IDC, mostra que 95% das empresas brasileiras com mais de 100 funcionários já utilizam ou planejam adotar inteligência artificial em suas operações. O levantamento foi apresentado em uma transmissão exclusiva no dia 6 de agosto.

De diferencial competitivo a infraestrutura crítica

Segundo o estudo, o dado mais relevante não é apenas o percentual elevado de adoção, mas o que ele representa em termos de mudança de percepção dentro das companhias. A inteligência artificial deixou de ser tratada como um recurso opcional, usado apenas por empresas mais inovadoras, e passou a ser encarada como parte da infraestrutura crítica de negócios, no mesmo patamar de sistemas de gestão e redes corporativas que já eram considerados indispensáveis.

Esse movimento acompanha uma tendência observada em outros países, mas ganha contornos específicos no Brasil, onde o setor de serviços e o mercado financeiro têm um peso considerável na economia digital. Segundo a pesquisa, o setor financeiro responde por 25,4% de todo o mercado nacional de software e serviços, o que o coloca em posição de destaque tanto nas oportunidades quanto nos riscos associados à adoção acelerada de IA.

Um dos pontos de atenção levantados pelo estudo é o crescimento da superfície de ataque à medida que a inteligência artificial passa a processar volumes cada vez maiores de dados sensíveis dentro das empresas. O reforço da segurança digital aparece entre os principais objetivos declarados pelas companhias ao adotar novas ferramentas de IA, mas a governança de dados ainda precisa acompanhar o ritmo acelerado da implantação tecnológica.

Esse descompasso é especialmente sensível no setor financeiro, que já é altamente regulado e lida com informações extremamente sensíveis de clientes. Para essas empresas, o desafio não é apenas avançar em inteligência artificial, mas fazer isso sem abrir mão de conformidade regulatória e de controle sobre como os dados são utilizados pelos algoritmos.

O que a adoção em massa significa para o mercado de trabalho

A adoção quase universal da inteligência artificial entre grandes empresas brasileiras também levanta questões sobre o impacto na força de trabalho. Embora o estudo não detalhe números específicos sobre demissões ou criação de vagas, o cenário reforça uma transformação já perceptível no mercado: profissionais que dominam ferramentas de IA aplicadas ao próprio setor de atuação tendem a se tornar mais competitivos, enquanto funções mais operacionais e repetitivas seguem sob pressão de automação.

Esse movimento acontece paralelamente a discussões sobre governança pública de dados e inteligência artificial no Brasil, tema que também esteve em pauta durante o Seminário Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação para a Gestão Pública, realizado em Brasília nos dias 5 e 6 de agosto, reforçando que o debate sobre IA não se limita ao setor privado.

Um retrato de país que já não trata IA como experimento

Ao reunir empresas de diferentes portes e setores, o levantamento da ABES e da IDC ajuda a construir um retrato mais preciso de como o Brasil está lidando com a inteligência artificial em 2026. Longe de ser um experimento isolado em poucas companhias de tecnologia, a IA já aparece incorporada ao planejamento estratégico da grande maioria das empresas de médio e grande porte no país, o que deve continuar pautando investimentos, contratações e políticas internas de segurança digital nos próximos meses.