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quinta-feira, setembro 16, 2021
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Autoridades que deveriam se unir para encontrar soluções fizeram da pandemia um palanque

Já vivi uns bons anos e nunca presenciei momentos tão difíceis como esses que vivemos nessa época de pandemia, com necessidade de retomada de crescimento e os confrontos mirabolantes no jogo político do país. Algumas pessoas, com receio de serem contaminadas pela Covid-19, se impuseram uma autorreclusão, ainda que comprometessem os seus negócios e até o bem-estar de seus familiares. Outras ousaram enfrentar a pandemia, tentando continuar com suas atividades como se tudo continuasse normal, como sempre foi. As notícias alarmantes sobre o número crescente de mortes, muitas vezes de pessoas próximas, serviram como uma espécie de freio para que as pessoas se comportassem com mais cautela.

No início, parecia que em poucos dias, ou talvez em algumas semanas para os mais pessimistas, a vida voltaria à sua rotina habitual. O tempo passou. Vieram os meses, e lá se foi um ano e meio de convivência com a pandemia. E quando tudo parecia se restabelecer, eis que surge uma nova variante do coronavírus que talvez seja ainda mais implacável. Assustador. Mais uma vez nos, sentimos impotentes. Muitos empresários tentam retomar os seus negócios, mas ainda com muito receio. É um verdadeiro dilema: a necessidade de sobreviver economicamente versus o medo de ser atingido pelo vírus, que, por mais informação que se tenha, continua sendo um desconhecido até para os especialistas que se dedicaram ao seu estudo.

As autoridades, que deveriam se unir para encontrar soluções e dar tranquilidade à população, de forma até irresponsável, resolveram fazer da pandemia um palanque para suas aspirações eleitoreiras. Basta observar os debates protagonizados nas sessões da CPI da Covid-19. A impressão que passam é a de que a preocupação menos importante está na busca de soluções para esse problema tão grave que enfrentamos, o mais sério e aterrorizante de toda a nossa história. Esse não deveria ser o momento para politicagem. Não podemos e não devemos, entretanto, perder as esperanças. Há muita gente séria e competente lutando com todas as forças para encontrar saídas. E elas aparecerão. Precisamos ser críticos e separar as opiniões. As discussões políticas deverão ser deixadas de lado, e assim também as opiniões de especialistas que claramente se submetem a posições ideológicas para falar sobre o assunto. Com um pouco de critério e bom senso será possível desatrelar os fatos das narrativas. E continuar vigilante para verificar se não somos enganados pelo discurso interesseiro. Torna-se, por isso, imprescindível analisar criteriosamente esses fatos e tomar decisões firmes e coerentes a respeito do que acreditamos e valorizamos. Afinal, cada um de nós é responsável por viver a sua própria vida, desde que não interfira na dos outros.

Nessa espécie de caminhada solitária, vamos recorrer à teoria de um dos mais importantes pensadores norte-americanos de todos os tempos, William James, que viveu de 1842 a 1910. Ele defendeu a ideia de que, se uma pessoa agir como se o que ela faz fizesse diferença, essa atitude faria diferença. Segundo ele, se uma pessoa estiver perdida em uma floresta e ver um caminho, ela pode ter duas opções: que, se seguir por ali, não chegará a lugar nenhum; ou, ao contrário, que será a saída para que encontre os alimentos de que precisa para sobreviver. Se ela decidir que não valerá a pena tentar, continuará perdida e morrerá de fome. Se, por outro lado, acreditar que será melhor fazer a tentativa, talvez encontre a salvação. Essas crenças se tornarão realidade a partir da decisão tomada. Por isso, por maiores que sejam as nossas incertezas, temos de acreditar que nada é para sempre, e que, por mais enevoado que se mostre o futuro, ninguém poderá garantir que a solução não esteja um pouco mais à frente. Sempre haverá uma saída para os problemas que nos envolvem, por mais difícil e impossível que nos possa parecer.

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