O Holocausto pela arte de uma sobrevivente

dezembro 7, 2019 0 Por

Os quadros de Ceija Stojka, em tinta a óleo e acrílico, em geral não têm títulos. Mas transmitem tanta força e expressividade que quase sempre os títulos são desnecessários.

Em um deles, um trem percorre uma estrada de ferro sob um céu vermelho, com uma suástica à frente; em outro, um olho arregalado tem o desenho de uma chaminé fumegante, um crânio e pássaros pretos pousados em cercas de arame farpado.

Seis anos após sua morte, as pinturas e desenhos de Stojka, uma cigana de origem romena, que sobreviveu aos campos de concentração de Auschwitz, Ravensbrück e Bergen-Belsen, serão expostos no museu Reina Sofia, em Madri. A grande exposição intitulada “Isso aconteceu” homenageia uma artista, que dedicou grande parte de sua vida a narrar os crimes contra a humanidade cometidos pelos nazistas.

Três anos depois, seu pai, Wackar, foi preso e enviado para Dachau onde morreu na câmara de gás, em 1942. Stojka, a mãe e os cinco irmãos foram deportados para Auschwitz no ano seguinte. O irmão mais novo, Ossi, morreu de tifo no campo aos sete anos, mas a família sobreviveu à guerra.

“Minha mãe pouco falava sobre sua infância nos campos de concentração. Porém, às vezes as recordações a atormentavam”, disse Hojda, filha de Stojka que cresceu em Viena ocupada pelos Aliados.

Entre o final da década de 1980 e sua morte, em 2013, Stojka escreveu três livros, fez inúmeras anotações de suas lembranças e pintou mais de mil desenhos e quadros.

Ao escrever, pintar e desenhar, Stojka se reconciliou com o passado. Como escreveu em um dos seus poemas: “Auschwitz é meu casaco, Bergen-Belsen meu vestido e Ravensbrück minha camiseta, então por que deveria ter medo?”.

Nos próximos quatro meses, a coleção de pinturas e desenhos de Stojka irá ocupar a mesma galeria do famoso quadro Guernica, pintado por Pablo Picasso em protesto contra o bombardeio alemão e italiano, que devastou a cidade basca de Guernica, em 1937.

“As pessoas vão ver obras de forte impacto emocional e que retratam episódios pouco conhecidos da história, como o Porajmos [o genocídio cigano], no qual 500 mil ciganos foram assassinados pelos nazistas”.

Fontes: The Guardian-‘She worked against forgetting’: Holocaust survivor’s art goes on display

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