Doria diz que devolverá apostilas sobre diversidade sexual com encarte explicativo na próxima semana

Doria diz que devolverá apostilas sobre diversidade sexual com encarte explicativo na próxima semana

setembro 13, 2019 0 Por Joana Figueredo

No último dia 3, governador recolheu apostilas de ciências do 8º ano por o que ele chamou de ‘apologia à ideologia de gênero’. Encarte explicativo está sendo confeccionado e não foi apresentado na coletiva.

Coletiva do governo de SP desta sexta-feira (13) — Foto: Giba Bergamim/TV Globo
Coletiva do governo de SP desta sexta-feira (13) — Foto: Giba Bergamim/TV Globo

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou na tarde desta sexta-feira (13) que vai devolver as apostilas de ciências recolhidas de alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental com um material de suporte na próxima semana. A decisão ocorre após acordo com o Tribunal de Justiça

Entidades que entraram com uma ação para devolução do material dizem que ele deveria estar de volta às unidades de ensino até as 11:35 desta sexta.

O governador decidiu retirar o material na semana passada porque a apostila, segundo ele, continha conteúdo inapropriado relacionado à sexualidade e gênero. No último dia 3, Doria disse não aceitar “apologia à ideologia de gênero” (leia mais abaixo).

“Nosso entendimento foi não apelar da decisão e preferimos o diálogo para que as cartilhas fossem recolocadas nas escolas. O governo de São Paulo respeita igualdade e diversidade (sexual)”, afirmou nesta sexta.

“Vamos devolver até a semana que vem a apostila, mas com o material de suporte sobre como usar o material. Esse prazo [mencionado por entidades que entraram com ação] não procede. Todas as apostilas serão devolvidas, estão guardadas”, disse o secretário da Educação do Estado Rossieli Soares.

As apostilas serão entregues de maneira integral, segundo o secretário. O material de apoio que estará junto com a apostila original ainda está sendo confeccionado e não foi apresentado durante a entrevista coletiva.

‘Ideologia de gênero’

O termo “ideologia de gênero” surgiu entre meados da década de 1990 e início dos anos 2000 no âmbito do Conselho Pontifício para a Família, da Congregação para a Doutrina da Fé, antigamente conhecida como Santa Inquisição Romana e Universal, ala conservadora da Igreja Católica, segundo o Centro de Estudos Multidisciplinares Avançados da Universidade de Brasília (UnB).

A apostila recolhida por Doria explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual. Também traz orientações sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. O governador justificou por que tomou a decisão: “Não concordamos nem aceitamos apologia à ideologia de gênero”. O governo do presidente Jair Bolsonaro também tem posição crítica ao que classifica como “ideologia de gênero”.

O termo foi formulado como uma reação ao feminismo por grupos neofundamentalistas católicos, segundo os quais a luta feminista atinge a tradicional família cristã. Mas, de acordo com a UnB, o termo contraria, inclusive, disposições do Concílio Vaticano II, quando vários temas da Igreja Católica foram regulamentados na década de 1960.

Depois, em 2000, a expressão aparece em documento da Cúria Romana, com a publicação de “Família, Matrimônio e Uniões de fato”.

A expressão “ideologia de gênero” não é reconhecida no mundo acadêmico e é usada por grupos conservadores, como as igrejas evangélicas, contrários aos estudos de gênero iniciados nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos e na Europa –que teorizam a diferença entre o sexo biológico e o gênero.

Para esses estudiosos, ser um homem ou uma mulher não depende apenas da genitália ou dos cromossomos, mas de padrões culturais e comportamentais. Tais padrões, segundo os teóricos da área, são adquiridos na vida em sociedade. Já grupos de conservadores acreditam que as conclusões desses estudos sobre o gênero não obtiveram validação das ciências exatas e biológicas.

Saúde

Doria também anunciou o início de um programa de agendamentos para retirada de medicamentos de alto custo por um aplicativo de celular chamado “Remédio Agora”. A medida afetará futuramente cerca de 750 mil pacientes que apresentam cerca de um milhão de receitas para medicamentos de alto custo no estado.

O programa já vale para uma das 37 farmácias para remédios do tipo, o Ambulatório Médico de Especialidades, AME Maria Zélia, nó Belenzinho (Zona Leste).

O paciente terá que baixar o aplicativo e fazer um cadastro. Após feito, ela tem que seguir os passos do aplicativo para fazer o agendamento da data e horário da retirada. A previsão é expandir para a farmácia da Vila Mariana. Até o ano que vem, todas as 37 do estado devem ter o programa de agendamento.

Nos últimos anos, houve muitos casos de falta de medicamentos de alto custo, muitos deles para pacientes que fizeram transplante. A gestão Doria diz que esse problema diminuiu. Doria afirmou que espera a redução de fraudes para retirada de remédios com o modelo eletrônico de entrega.

De 290 itens, sendo eles de distribuição do governo, ou vindo do governo federal, sete estão em falta, segundo o governo estadual. De sete medicamentos, dois vem só Ministério da Saúde e cinco da secretaria

“De setenta itens que faltavam, reduzimos para cinco [itens faltantes]”, disse o secretário da Saúde José Henrique Germann.

Viagem ao Japão

Doria também falou da viagem para Tóquio e Nagoya, no Japão, onde terá encontros para tentar buscar investimentos do país para geração de empregos e programas ambientais em São Paulo.

Se reunirá com representantes de uma montadora de carros , em Nagoya, e com representantes do governo japonês, empresários e bancos de investimento do Japão.

Ele embarca no domingo (15) e a viagem deve acabar no dia 20. Como o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) também está em viagem (Singapura), o presidente da Assembleia Legislativa Cauê Macris (PSDB).