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Chamadas falsas no celular: Anatel endurece combate ao spoofing e muda a segurança das ligações no Brasil

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Chamadas falsas no celular: Anatel endurece combate ao spoofing e muda a segurança das ligações no Brasil

Nadia Verdan

Medidas contra o spoofing reforçam a proteção de quem usa smartphones e podem reduzir chamadas fraudulentas que simulam números conhecidos.

O celular se tornou uma das principais portas de entrada para serviços digitais, pagamentos, redes sociais e comunicação no Brasil, mas também passou a ser um dos principais alvos de golpes. Em 16 de setembro de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou seis medidas cautelares contra empresas relacionadas ao encaminhamento de chamadas com identificação de origem indevidamente alterada, prática conhecida como spoofing. O problema ocorre quando o número exibido na tela do smartphone não corresponde necessariamente ao verdadeiro originador da ligação.

A mudança interessa diretamente a quem utiliza Android, iPhone e outros aparelhos conectados às redes móveis, porque o número apresentado na tela costuma ser um dos primeiros elementos usados pelo consumidor para decidir se atende ou não uma chamada. Com a adoção de mecanismos de falsificação, criminosos podem tentar criar uma aparência de legitimidade para contatos suspeitos. Por isso, entender o que é spoofing, o que a Anatel está fazendo e quais cuidados continuam necessários ajuda o usuário a interpretar melhor as chamadas recebidas no celular.

Por que o spoofing consegue enganar quem recebe uma ligação?

O spoofing de chamadas está relacionado à alteração indevida da identificação de origem apresentada ao destinatário. Na prática, isso significa que a informação exibida pelo smartphone pode não representar de forma confiável quem realmente iniciou a comunicação. A Anatel explica que a prática dificulta a identificação do efetivo originador das chamadas e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares.

Para o usuário comum, o problema é especialmente relevante porque a interface do celular transforma o número recebido em uma espécie de sinal de confiança. Uma ligação que parece vir de um contato conhecido, de uma empresa ou de determinado código de área pode despertar menos desconfiança do que uma chamada desconhecida. O avanço dos recursos digitais dos smartphones não elimina esse risco, pois a falsificação acontece na infraestrutura de telecomunicações antes que a informação chegue à tela do aparelho.

A situação também mostra por que segurança digital não depende apenas de antivírus ou das configurações do Android e do iPhone. Aplicativos de identificação de chamadas, filtros automáticos contra spam e recursos oferecidos pelas próprias operadoras podem ajudar, mas nenhum deles transforma automaticamente toda chamada identificada em uma comunicação legítima. A proteção precisa envolver rede, operadoras, reguladores, fabricantes de celulares e comportamento do usuário.

Esse cenário ganha importância porque o celular concentra cada vez mais informações pessoais e financeiras. Dados do IBGE mostram que 90,5% das pessoas de 10 anos ou mais utilizaram a internet no Brasil em 2025, enquanto 88,9% dessa população tinha celular em 2024. Quanto maior a presença do smartphone na vida cotidiana, maior também é o impacto de mecanismos capazes de explorar a confiança criada pelas comunicações digitais.

O que muda para quem usa Android, iPhone e outros celulares?

As medidas anunciadas pela Anatel em setembro atingem empresas identificadas como responsáveis pela originação ou pelo transporte de volume relevante de chamadas com indícios de spoofing. O objetivo é dificultar que ligações com identificação de origem alterada sejam encaminhadas normalmente pelas redes de telecomunicações. A iniciativa faz parte de um conjunto mais amplo de ações da agência para combater chamadas irregulares e reduzir as possibilidades de utilização das redes em fraudes.

Para o consumidor, a principal consequência esperada é uma melhoria progressiva na confiabilidade das chamadas recebidas. Isso não significa que o problema desaparecerá imediatamente nem que uma ligação que mostra um número aparentemente correto será necessariamente segura. O usuário continuará precisando desconfiar de pedidos de senhas, códigos de autenticação, transferências, dados bancários ou informações pessoais feitos durante uma ligação inesperada.

A mudança também reforça a importância de manter o smartphone atualizado e utilizar recursos de segurança disponíveis no sistema. Android e iOS oferecem mecanismos para bloquear números, silenciar chamadas desconhecidas e controlar permissões de aplicativos, embora os recursos variem conforme a versão instalada e o fabricante. Em aparelhos Xiaomi, Samsung e outros modelos Android, por exemplo, também podem existir ferramentas adicionais de proteção contra chamadas indesejadas, enquanto o iPhone possui controles próprios para chamadas desconhecidas.

Outro ponto importante é que a identificação exibida no celular deve ser tratada como uma informação, e não como uma prova definitiva de identidade. Mesmo que uma ligação pareça vir de uma empresa conhecida, o consumidor pode encerrar a conversa e procurar o canal oficial da instituição por conta própria. Essa mudança de hábito reduz a dependência de uma única informação apresentada pela tela do smartphone e dificulta abordagens baseadas em urgência ou pressão.

Como a segurança das ligações deve evoluir nos próximos meses?

O combate ao spoofing tende a ganhar importância à medida que mais serviços essenciais migram para o ambiente digital. Bancos, empresas, plataformas de comércio eletrônico, serviços públicos e aplicativos utilizam o telefone como canal de comunicação com clientes, o que torna a autenticidade das chamadas uma questão cada vez mais relevante para o ecossistema digital. A própria Anatel mantém iniciativas relacionadas ao uso das telecomunicações no combate a crimes e fraudes.

A tendência é que a identificação de chamadas deixe de depender exclusivamente do número apresentado na tela e passe a incorporar mecanismos adicionais de autenticação e análise de comportamento. Isso pode envolver filtros das operadoras, sistemas automatizados para detectar padrões suspeitos e integração com recursos de segurança dos smartphones. Com o crescimento da inteligência artificial, também existe espaço para ferramentas capazes de analisar grandes volumes de chamadas e identificar comportamentos anormais com maior velocidade.

Ao mesmo tempo, a tecnologia precisa ser acompanhada de educação digital. Uma chamada identificada corretamente ainda pode ser utilizada por alguém tentando aplicar um golpe, e ferramentas automáticas podem eventualmente bloquear comunicações legítimas. Por isso, a segurança mais eficiente tende a combinar mecanismos técnicos com decisões conscientes do usuário, especialmente quando uma ligação envolve dinheiro, códigos de acesso ou dados pessoais.

O cenário brasileiro também mostra que a segurança das telecomunicações está se tornando parte da experiência cotidiana de quem utiliza tecnologia. A Anatel já mantém projetos como o Celular Seguro, que permite bloquear aparelho, linha telefônica e aplicativos bancários após roubo ou furto, ampliando a proteção para além da própria ligação. Nos próximos meses, novas medidas contra chamadas falsificadas poderão tornar as redes mais resistentes a fraudes e, ao mesmo tempo, aumentar a importância de mecanismos de autenticação nos smartphones.

A evolução mais importante, portanto, não deve ser apenas a redução de chamadas suspeitas, mas a criação de um ambiente em que o usuário consiga distinguir melhor comunicações legítimas de tentativas de fraude. Para quem utiliza celular diariamente, isso significa que segurança digital deixará cada vez mais de ser uma função isolada do aparelho e passará a depender da combinação entre smartphone, aplicativos, operadoras, inteligência artificial e infraestrutura de telecomunicações.

Fontes utilizadas: