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segunda-feira, janeiro 25, 2021
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Pronunciamento de Pazuello é cena de um jogo perverso que zomba da população

Não podia ser diferente. Isto aqui é o Brasil. O pronunciamento do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, no final de tudo, representa um espetáculo deprimente numa guerra política inaceitável por qualquer país que seja civilizado. Está decretada a guerra da vacina e os contendores estão preparados para tudo, em nome de seus interesses. O que se viu no final da tarde desta terça-feira, 8, foi um ministro da Saúde titubeante, lendo o que lhe mandaram e mais nada. Um homem ali, diante das câmeras de televisão, discorrendo sobre um assunto que se torna uma vergonha para um país que não tem sorte. Nem autoridade capaz de fazer valer a lei do bom senso, que é o mínimo que se espera de um governo, qualquer governo, numa situação delicada como vive a população brasileira. O pronunciamento do ministro da Saúde, no Palácio do Planalto, nada mais foi que um recado direto ao governador de São Paulo, João Doria, que prometeu vacinar a população a partir de 25 de janeiro, dia do aniversário da capital paulista.

Pela manhã, numa reunião online, o ministro e o governador discutiram de maneira tensa. Será que estão mesmo pensando na vacinação das pessoas que temem o coronavírus? É difícil responder. O que está na mesa é um jogo de interesses políticos que dá a dimensão correta do que é este país. É um jogo sujo. E vale qualquer golpe. Em nenhum momento o ministro da Saúde lembrou a vacina CoronaVac, produção chinesa com a participação do Instituto Butantan, do governo paulista. Com cara de assustado e demonstrando não estar bem naquele papel, o ministro afirmou que o Brasil não pode ser dividido. E como se falasse a João Dória, afirmou que o programa de imunização pertence ao Ministério da Saúde, não ao governo de São Paulo. Cabe ao Ministério da Saúde coordenar a vacinação em todo o país. Pazuello assegurou que, atualmente, o Brasil tem garantidas 300 milhões de doses de vacinas contra o vírus que somente esperam a aprovação da Anvisa.

Pouco antes, o presidente Jair Bolsonaro disse por meio das redes sociais: “Vamos proteger a população respeitando sua liberdade e não usá-la para fins políticos, colocando sua saúde em risco por conta de projetos pessoais de poder”. No fundo disso tudo, os interesses de cada um, olhando para 2022. Até a vacinação dos brasileiros se transformou num espetáculo melancólico e lastimável. O ministro da Saúde deu o seu recado a João Doria. Um recado político. Como se a questão do vírus estivesse num segundo ou terceiro plano. Mais uma cena brasileira de um jogo perverso que zomba da população, como tem sido desde o início da pandemia. O que se viu no final da tarde desta terça-feira foi mais um capítulo indecente de uma história em que o que menos importa é a vida das pessoas. Infelizmente é assim.

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