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quinta-feira, novembro 26, 2020
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Possibilidade de segunda onda da Covid-19 no Nordeste é ‘muito real’, diz especialista

Com o avanço da Covid-19 em diversos países europeus e nos Estados Unidos, a preocupação com uma possível segunda onda de casos no Brasil cresce diariamente. O neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, avalia que a preocupação envolve todas as regiões do país, mas especialmente o Nordeste brasileiro. Segundo ele, considerando o período de três meses que leva para a onda de infecções europeia chegar ao Brasil, a estimativa é que entre o período natalino e a primeira semana de janeiro haja uma nova explosão de contaminações pelo coronavírus. “A possibilidade que nós temos [de uma segunda onda no Nordeste] é muito real e sim, eventualmente só teremos, antes de uma vacina, os mesmos recursos não farmacológicos utilizados, como o isolamento social e a quarentena. Não existe outra grande solução para uma explosão de casos como estamos vendo na Europa.”

Miguel Nicolelis lembra o número de hospitalizações e a taxa de mortalidade sempre apresentam um atraso quanto ao crescimento de casos. No entanto, ele aponta que o tanto autoridades europeias quanto norte-americanas já apontam para superlotações e aumento das hospitalizações. O Comitê Britânico, segundo neurocientista, já alertou que a superlotação hospital é “uma possibilidade extremamente possível” enquanto os Estados Unidos já registram 40% de alta nas internações no último mês. Com isso, a preocupação é que o Brasil também enfrente novos aumentos. “O nosso receio é que ocorra [aumento na taxa de contaminação] com as aglomerações que estão sendo feitas por causa do processo eleitoral e vinda de turistas agora no final do ano. A situação nos Estados Unidos e na Europa está piorando, o inverno está chegando lá e muitas pessoas vão querer se refugiar em locais de regiões tropicais. Então por isso estamos preocupados.”

Para evitar essa possível segunda onda no Nordeste e em todo o Brasil, o Miguel Nicolelis entende que medidas como o fechamento de aeroportos e a imposição de novos períodos de quarentena podem ser necessárias. “A primeira coisa é seguir controle. Os aeroportos devem ter controles rígidos os passageiros, monitoramento, serem testados e cumprirem quarentena de 14 dias. Depois, teríamos que começar a estocar tudo que vai ser necessário para combater a segunda onda, medicamentos, mascaras, roupa de proteção individual, materiais para UTI que faltaram e precisamos começar a ter um plano de contingenciamento dos leitos, que eventualmente vamos ter que utilizar se a segunda onda se materializar. Supondo que a onda na Europa piore, o Brasil teria que fechar espaço aéreo, porque a pandemia entrou pelos aeroportos e ela pode voltar pelos mesmos locais.”

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