O presidente do Chile, Sebastian Piñera, pediu neste sábado (26) que todos os seus ministros coloquem os cargos à disposição. O anúncio foi feito um dia depois de 1 milhão de pessoas irem às ruas na que é descrita pela imprensa local maior manifestação desde o período da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). “Pedi a todos os ministros para colocar seus cargos à disposição para poder estruturar um novo gabinete para poder enfrentar essas novas demandas”, afirmou Piñera no final desta manhã em pronunciamento no Palácio da Moeda, sede do Executivo chileno.

A onda de protestos começou há cerca de uma semana com atos contra o aumento no preço da passagem do metrô. O reajuste foi suspenso, mas os manifestantes continuaram nas ruas.

Por causa de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, o presidente Piñera, decretou estado de emergência e, a partir de então, as principais cidades chilenas passaram a ter toques de recolher.

Neste sábado, o presidente disse também que poderá suspender o estado de emergência em todo o país no domingo, “se as circunstâncias” de segurança permitirem.

Ao menos 19 pessoas morreram desde semana passada devido a incêndios em estabelecimentos, atropelamentos e confrontos com forças de segurança.

As manifestações não têm um líder definido nem uma lista precisa de demandas. Até o momento aparece como uma crítica generalizada a um sistema econômico neoliberal que, por trás do êxito aparente dos índices macroeconômicos, esconde um profundo descontentamento social.

No Chile, o acesso à saúde e à educação é praticamente privado, a desigualdade social é elevada, os valores das pensões estão reduzidos e os preços dos serviços básicos estão em alta.

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