Antes do fim das apurações, o presidente da Bolívia e candidato à reeleição, Evo Morales, anunciou na manhã desta quinta-feira (24) que venceu as eleições gerais no 1º turno, porque teria garantido mais de 10 pontos percentuais de diferença sobre o adversário Carlos Mesa. Na Bolívia, um candidato pode ser declarado vencedor no primeiro turno se tiver 50% dos votos mais um, ou se tiver 40%, com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

“Boas notícias… Nós já vencemos no primeiro turno”, disse Morales em entrevista coletiva, citando que no cálculo oficial – com mais de 98% das urnas apuradas – seu partido tinha 46,83% dos votos, em comparação com os 36,7% de Mesa.

“Ganhamos com o voto rural”, declarou Evo.

Apuração de votos na Bolívia dá pequena vantagem ao presidente Evo Morales

Por volta das 15h, a apuração indicava resultado diferente: com 99,12% dos votos apurados, Evo tinha 46,52% contra 36,92% de Mesa — margem que, se mantida, conduz ao segundo turno.

Na quarta, Morales afirmou que a Bolívia “está em processo um golpe de estado”, em aparente referência aos protestos e à greve indefinida anunciados no país. Ele também afirmou que o país está em estado de emergência e “em mobilização pacífica, constitucional e permanente”.

Na véspera, Carlos Mesa disse que não reconheceria os resultados do Supremo Tribunal Eleitoral, que ele acusa de ter manipulado os votos para favorecer Morales.

Mesa também anunciou a formação de uma “Coordenação de Defesa da Democracia”, com o objetivo de pressionar para que haja um segundo turno.

O objetivo da aliança com os partidos da direita e líderes centristas é “conseguir que se cumpra a vontade popular de definir a eleição presidencial no segundo turno”, destacou em uma nota publicada no Twitter.

O comunicado convoca os bolivianos à “mobilização pacífica até que se consiga o objetivo democrático da declaração do segundo turno eleitoral”.

Uma missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) já recomendou que, diante da desconfiança sobre o processo eleitoral, “continua sendo uma melhor opção convocar o segundo turno”.

A Bolívia tem dois sistemas de apuração simultâneos: o sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares, batizado de Trep, e o sistema de contagem voto a voto, que é mais lento.

O clima no país se deteriorou no domingo depois que o Trep foi suspenso no momento em que a contagem individual de votos começou a dar resultados muito distintos das atas de mesa da eleição.

Quando a divulgação foi suspensa, o Trep apontava uma tendência ao segundo turno. Porém, quando a contagem voltou Morales despontava na frente com uma vantagem que despesaria um segundo turno.

O governo anunciou que suspendeu a divulgação para evitar confusões já que o resultado estava dando muito diferente da contagem voto a voto.

Porém, apoiadores de Carlos Mesa denunciam uma suposta fraude nas apurações e foram para as ruas em várias cidades do país protestar. Houve relatos de confrontos entre apoiadores de Mesa e forças de segurança em Sucre, Oruro, Cochabamba e La Paz.

A Organização dos Estados Americanos questionou a contagem e citou uma mudança “drástica” e inexplicável na votação, que, segundo a organização, prejudicou a confiança dos eleitores no processo eleitoral.

Vários governos estrangeiros, incluindo Estados Unidos, Brasil e a União Europeia, também expressaram preocupação com a integridade da votação. Em uma reunião na quarta, a OEA recomendou a realização do segundo turno, mesmo que Morales alcançasse uma vantagem de 10 pontos percentuais.

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