No último dia 3, governador recolheu apostilas de ciências do 8º ano por o que ele chamou de ‘apologia à ideologia de gênero’. Encarte explicativo está sendo confeccionado e não foi apresentado na coletiva.

Coletiva do governo de SP desta sexta-feira (13) — Foto: Giba Bergamim/TV Globo
Coletiva do governo de SP desta sexta-feira (13) — Foto: Giba Bergamim/TV Globo

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou na tarde desta sexta-feira (13) que vai devolver as apostilas de ciências recolhidas de alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental com um material de suporte na próxima semana. A decisão ocorre após acordo com o Tribunal de Justiça

Entidades que entraram com uma ação para devolução do material dizem que ele deveria estar de volta às unidades de ensino até as 11:35 desta sexta.

O governador decidiu retirar o material na semana passada porque a apostila, segundo ele, continha conteúdo inapropriado relacionado à sexualidade e gênero. No último dia 3, Doria disse não aceitar “apologia à ideologia de gênero” (leia mais abaixo).

“Nosso entendimento foi não apelar da decisão e preferimos o diálogo para que as cartilhas fossem recolocadas nas escolas. O governo de São Paulo respeita igualdade e diversidade (sexual)”, afirmou nesta sexta.

“Vamos devolver até a semana que vem a apostila, mas com o material de suporte sobre como usar o material. Esse prazo [mencionado por entidades que entraram com ação] não procede. Todas as apostilas serão devolvidas, estão guardadas”, disse o secretário da Educação do Estado Rossieli Soares.

As apostilas serão entregues de maneira integral, segundo o secretário. O material de apoio que estará junto com a apostila original ainda está sendo confeccionado e não foi apresentado durante a entrevista coletiva.

‘Ideologia de gênero’

O termo “ideologia de gênero” surgiu entre meados da década de 1990 e início dos anos 2000 no âmbito do Conselho Pontifício para a Família, da Congregação para a Doutrina da Fé, antigamente conhecida como Santa Inquisição Romana e Universal, ala conservadora da Igreja Católica, segundo o Centro de Estudos Multidisciplinares Avançados da Universidade de Brasília (UnB).

A apostila recolhida por Doria explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual. Também traz orientações sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. O governador justificou por que tomou a decisão: “Não concordamos nem aceitamos apologia à ideologia de gênero”. O governo do presidente Jair Bolsonaro também tem posição crítica ao que classifica como “ideologia de gênero”.

O termo foi formulado como uma reação ao feminismo por grupos neofundamentalistas católicos, segundo os quais a luta feminista atinge a tradicional família cristã. Mas, de acordo com a UnB, o termo contraria, inclusive, disposições do Concílio Vaticano II, quando vários temas da Igreja Católica foram regulamentados na década de 1960.

Depois, em 2000, a expressão aparece em documento da Cúria Romana, com a publicação de “Família, Matrimônio e Uniões de fato”.

A expressão “ideologia de gênero” não é reconhecida no mundo acadêmico e é usada por grupos conservadores, como as igrejas evangélicas, contrários aos estudos de gênero iniciados nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos e na Europa –que teorizam a diferença entre o sexo biológico e o gênero.

Para esses estudiosos, ser um homem ou uma mulher não depende apenas da genitália ou dos cromossomos, mas de padrões culturais e comportamentais. Tais padrões, segundo os teóricos da área, são adquiridos na vida em sociedade. Já grupos de conservadores acreditam que as conclusões desses estudos sobre o gênero não obtiveram validação das ciências exatas e biológicas.

Saúde

Doria também anunciou o início de um programa de agendamentos para retirada de medicamentos de alto custo por um aplicativo de celular chamado “Remédio Agora”. A medida afetará futuramente cerca de 750 mil pacientes que apresentam cerca de um milhão de receitas para medicamentos de alto custo no estado.

O programa já vale para uma das 37 farmácias para remédios do tipo, o Ambulatório Médico de Especialidades, AME Maria Zélia, nó Belenzinho (Zona Leste).

O paciente terá que baixar o aplicativo e fazer um cadastro. Após feito, ela tem que seguir os passos do aplicativo para fazer o agendamento da data e horário da retirada. A previsão é expandir para a farmácia da Vila Mariana. Até o ano que vem, todas as 37 do estado devem ter o programa de agendamento.

Nos últimos anos, houve muitos casos de falta de medicamentos de alto custo, muitos deles para pacientes que fizeram transplante. A gestão Doria diz que esse problema diminuiu. Doria afirmou que espera a redução de fraudes para retirada de remédios com o modelo eletrônico de entrega.

De 290 itens, sendo eles de distribuição do governo, ou vindo do governo federal, sete estão em falta, segundo o governo estadual. De sete medicamentos, dois vem só Ministério da Saúde e cinco da secretaria

“De setenta itens que faltavam, reduzimos para cinco [itens faltantes]”, disse o secretário da Saúde José Henrique Germann.

Viagem ao Japão

Doria também falou da viagem para Tóquio e Nagoya, no Japão, onde terá encontros para tentar buscar investimentos do país para geração de empregos e programas ambientais em São Paulo.

Se reunirá com representantes de uma montadora de carros , em Nagoya, e com representantes do governo japonês, empresários e bancos de investimento do Japão.

Ele embarca no domingo (15) e a viagem deve acabar no dia 20. Como o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) também está em viagem (Singapura), o presidente da Assembleia Legislativa Cauê Macris (PSDB).

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